História familiar

dezembro 14, 2007

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Geneci já estava ficando velha de tanto esperar o ônibus. Pela demora, já teria ido e voltado umas quantas vezes até o Paço do Tibúrcio.

O pior de tudo era a garoinha que insistia em molhar a bolsinha vermelha, de veludo, que representava seu maior bem…

Corte.

Geneci entra na pequena loja de discos, e procura avidamente pelo “bolachão” com sua música predileta, da qual não sabe o nome, nem o intérprete. Germano, o balconista, “viaja” escutando uma ópera pinkfloydiana. Atração fatal…

Meio constrangida, ela puxa um pedacinho de papel, onde escreveu algumas estrofes de sua canção maravilhosa. Olha, fixamente, para o rapaz ali desligado do resto do planeta, e canta:

“Eu sou rebelde porque o mundo quis assim

Porque nunca me trataram com amor

E as pessoas se fecharam para mim…”

Impressionado com a bela voz, digna das integrantes do big-conjunto “As Marcianas”, ele desliga a ópera psicodélica, e sem dizer nada, gruda um beijo memorável na dublê de cantora.

Passado o choque inicial, uma linda história de amor se iniciou. Volta e meia, enquanto ela mandava ele se “afumentar”, raivosa, ele entoava canções apaixonadas, como essa:

“Quero vê-la sorrir

Quero vê-la cantar

Quero ver o seu corpo

Dançar sem parar…”

Corte.

O ônibus não vinha. A chuva engrossava. As lembranças incomodavam, mais e mais. Geneci não esquecia o final da linda história de amor, e do filho que não chegou a ter. (Melhor não falar nisso, afinal. Certas coisas não são descritíveis. É como se não pudessem existir!)

A bolsinha vermelha, já pingando, denunciava a umidade que invadia o coração da humilde criatura. “Que saco!”, pensou, e ninguém poderia ouvi-la. Estava sozinha.

Germano foi embora. Depois de seis meses de relacionamento, não pôde suportar a dolorosa descoberta. Sim, eles eram parentes. Melhor: ainda são! O grau de parentesco quase ninguém sabe, o certo é que é coisa sanguínea. Credo!

E teve fim a linda, bela história de amor. Teria começado algum dia? As ilusões, enfim, são tantas, e de tão variadas formas, que às vezes são confundidas com a própria realidade.

Como diz Caetano Veloso:

“Existirmos,

a que será que se destina?”.

Contos gregorianos de uma época confusa. Seres que provaram o melhor e o pior de si próprios. O rumo do infinito é infinito, mas o que será?

Geneci continua a se molhar. Agora decide correr, e a chuva incessante a acompanha. Desse jeito, jamais chegará á porta do bar onde trabalha. “É programadora”. É mulher. É Geneci. O melhor do melhor em um pequeno frasco.

Vestido de bolinha amarelinha, melhor tentar de novo. Já que tudo é música, “tente outra vez!”. Bagdá Café é logo ali…

 - Texto publicado originalmente no Primeira Dose, edição de 10 a 16 de março de 1995.

(Crédito da foto: Marjorie Bier)

Salvador

dezembro 11, 2007

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Todo início de mês era a mesma coisa: Salvador tomava o ônibus na Esquina Ezequiel e seguia pra cidade, uma conversa com um vizinho aqui, uma gaitada solta pras piadas do seu Tomé, até chegar na rodoviária, onde os índios, amontoados em torno de seus cestos multicoloridos, pediam esmolas aos passantes.

Salvador não fazia questão de olhar praquela gente, que ele considerava menos que os bichos da encerra que tinha em casa, de onde tirava um pouco de banha, religiosamente, pra economizar do dinheiro da aposentadoria. No mais, seguia a vida que seu pai lhe ensinou: votava sempre no mesmo clã político – “Pra não se meter em rixa sem fundamento”, dizia -, ia à missa todo santo domingo, e não deixava de, sempre que vinha pra cidade, jogar na Loteria Federal, “que essas outras não dão confiança no bagual”.

Pra chegar no Banco do Brasil, tinha que passar pela zona do meretrício, e erguia o chapéu pras moças que, das janelas sujas, vendiam a formosura a quilo. Naquele dia, no entanto, não pôde deixar de soltar um muxoxo, ao avistar, saindo de uma das casas de tolerância, “cruz credo!”… um ÍNDIO!

Não que Salvador fosse incapaz de raciocionar… Claro, “eles”, como as pessoas decentes, também devem ter lá as suas “necessidades”, mas, justamente no rendevu da dona Clarice, onde ele era tratado como um granjeiro, e não como o reles peão aposentado que aproveitava a escapada mensal pra circular pela urbe. O índio, tranquilo que nem cusco em morcilha, cumprimentou Salvador, e isso, pro bagual, soou como uma quase ofensa.

“E agora?”, pensou, e…

Doses Extras

dezembro 11, 2007

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Enquanto “TransMissions – Programa 01 (Santo Ângelo)”, que conta com a participação de Marcos Vinícius Severo, Leila Nazario Viana e Flávio Panzenhagen, é cuidadosamente editado, para breve lançamento (fique de olho em www.youtube.com/blacksheepsltd), que tal umas “Doses Extras” de humor tipicamente missioneiro?

Na onda da reedição virtual das crônicas que animaram o extinto “Primeira Dose”, que circulou pelos bares e restaurantes de Santo Ângelo já há algum tempo, e também para chamar os literatos da boa cepa missioneira a contribuir com os propósitos do coletivo Black Sheeps Ltd. – independência, criatividade e inovação -, começo a postar fragmentos de crônicas produzidas recentemente, para que sejam desenvolvidos pelos amigos que acompanham o blog.

A primeira, “Salvador”, conta a história de um índio véio que detesta… “índios”! Ao encontrar um desses elementos saindo do seu bordel predileto, o personagem vê seus valores em xeque. Razão de sobra para que se constitua um work in progress, não é mesmo? Mão no mouse, pessoal, e pé na estrada… “Salvador” continua pensando no que fazer!

O lobisomem do Jardim

novembro 25, 2007

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Ninguém sabe que fim levou. Aristides, o lobisomem do Jardim Sabo, ao que dizem, fugiu para Porto Alegre. Outros relatos dão conta dele em Giruá, Catuípe ou, ainda, Frederico Westphalen. Hoje, todos sentem uma ponta de saudade daquela figura soturna, que passava as madrugadas de sexta-feira a uivar para a lua, na beira do Itaquarinchim…

Dizem que lobisomem, geralmente, é o sétimo filho de um casal. Como pode, então, que Aristides tenha se tornado licantropo, sendo filho único? A lenda do lobisomem de Santo Ângelo conta que, durante uma pescaria com seus pais, no Capão do Cipó, Ari (como é carinhosamente chamado), foi mordido por uma cadela sarnenta. É claro que isto é uma lenda: imagine se todo mundo que fosse mordido por uma cadela virasse lobisomem: a cidade estaria infestada de cachorrões, mais do que nunca.

Quando chegou à adolescência, Ari assumiu sua postura social de agroboy. Saía do Sabo, em direção ao centro, sempre na D-20 azulada do seu pai, daquelas que têm chupeta de plástico rosa, pendurada no espelho retrovisor, um pôster da Sula Miranda colado no vidro traseiro e câmbio com uma bola de signo incrustrada.

Bem, Ari saía pela Getúlio, subia pela Avenida Brasil e ia até a Marechal, onde morava Tadeu, seu melhor amigo. A história de Tadeu é outra dessas que só ocorrem por aqui. Só para dizer algumas coisas, ele também desapareceu de Santo Ângelo, e é chamado hoje de “vampiro da Marechal”. Um bom amigo para Aristides.

A parte trágica da coisa fica, na verdade, por conta do famoso assalto praticado pelos dois na cidade. Em uma noite de quinta para sexta-feira, enlouquecidos de tédio (pouca coisa mudou desde aquele tempo), ambos entraram no Banco de Sangue, chuparam as recepcionistas e roubaram todo o estoque local. Apesar da boa situação social, não houve nada que pudesse ser feito por eles, em todos os sentidos. Lobisomem e vampiro fogem à qualquer alçada jurídica. Talvez não escapem à “vara” da família. Ou das famílias, mas só!

A partir daí, ambos iniciaram uma peregrinação pela região. Sucessivamente, houve casos de chupadas e mordidas em Giruá, Catuípe e Frederico. As descrições batiam, e a polícia morria de medo.

Semana passada encontrei com eles em Porto Alegre. Tadeu virou bancário, e só chupa o sangue dos subordinados.

Aristides, esse sim, está feliz. Virou cachorro de madame.

- Texto publicado originalmente no Primeira Dose, edição de 16 a 22 de dezembro de 1994.

(Crédito da foto: Marjorie Bier)

Primeiras Doses

novembro 25, 2007

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Muito antes de me engajar na idealização do coletivo missioneiro Black Sheeps Ltd., o imaginário que ronda a região onde nasci e me criei já me servia de inspiração para textos que, à época, ganharam as páginas do saudoso “Primeira Dose”, o jornal de bar que marcou época em Santo Ângelo.

A coisa toda começou de brincadeira, nos idos de 1994, quando Fábio De La Rue – então editor do Jornal das Missões -, me convidou para integrar a equipe do veículo, e me propôs um espaço, no jornalzinho (editado pela mesma empresa de comunicação), para a publicação de crônicas com tema livre.

Começava, ali, minha vinculação ao universo surreal que caracteriza, em minha opinião, boa parte das manifestações culturais que definem as Missões, plenas de histórias de lobisomens, bruxas, gaudérios e tantos outros arquétipos que, em maior ou menor grau, se reproduzem no cotidiano, até hoje.

Durante alguns meses, meu tempo na redação se dividiu, então, entre o trabalho “convencional” – cobrir as ocorrências de polícia, criticar a atuação dos políticos que integravam as correntes contrárias à manifesta pela JM e questionar, no caderno do findi, o comportamento das gentes missioneiras – e a verdadeira loucura que se constituía em criar, uma vez por semana, uma historinha cheia de humor e de ousadia.

Quando De La Rue deixou o Jornal das Missões, assumi a edição do “Primeira Dose”, e até que uma crise ética profunda me afastasse de tudo, segui registrando, por vezes com sarcasmo, as impressões que a vida noturna (leia-se “Cadeira Cativa”) e o próprio conteúdo do jornal me proporcionavam, sempre às voltas com gente do calibre de um Flavião ou de um Fernando de Souza.

O tempo passou, o “Primeira Dose” se diluiu, como proposta, nas mãos de outros editores, até que foi engavetado pela empresa jornalística (não tendo previsão de retorno até o momento), mas me parece tão atual quanto o conceito que move as “ovelhas negras” que, mais uma vez, se agrupam em torno do eterno ideal de ver as Missões bem representadas, tanto aqui quanto no resto do planeta.

Por isso, passo a (re)publicar, aqui, as crônicas que, mais de uma década depois, poderiam estar se referindo a fatos ocorridos ontem, semana passada ou, quem sabe, no ano que vem. Por falar nisso: alguém sabe que fim levaram os agroboys?

(Crédito da foto: Marjorie Bier – quem melhor conseguiu me traduzir…)

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Dando continuidade à divulgação das atividades do coletivo missioneiro Black Sheeps Ltd. – as quais têm sido priorizadas, no blog, em razão de serem tratadas, atualmente, como prioridade pelos seus integrantes -, é chegada a hora de apresentar aos amigos que acompanham os textos que recheiam este espaço o projeto “TransMissions / TransMisiones / TransMissões”, o qual se traduz em uma ação de resgate, no âmbito das comunidades que ocupam a área anteriormente caracterizada como os Sete Povos das Missões, daquilo que a Unesco (órgão vinculado à ONU, dedicado à preservação da cultura e do patrimônio histórico) define como “patrimônio cultural imaterial” – ou seja, os referenciais que mantêm a coesão capaz de definir cada especificidade cultural.

O recorte temático a partir do qual se estrutura o projeto “TransMissions / TransMisiones / TransMissões” – tal como concebido pelo coletivo missioneiro Black Sheeps Ltd. -, se orienta a uma tentativa de compreensão, a partir da coleta das impressões de cidadãos nascidos na região, do grau de significação que a História e os costumes locais assumem em suas vidas, tornando-os únicos em um mundo em que a massificação (representada pelo chamado “pensamento único”) é um dos principais obstáculos à permanência das particularidades que definem cada grupo social.

Em termos práticos, “TransMissions / TransMisiones / TransMissões” é um projeto que irá expor, ao longo dos próximos meses, na página mantida pelo coletivo Black Sheeps Ltd. no Youtube (www.youtube.com/blacksheepsltd), uma série de entrevistas obtidas junto a moradores de São Borja, São Nicolau, São Luiz Gonzaga, São Miguel das Missões, Entre-Ijuís e Santo Ângelo (municípios que detêm os remanescentes arquitetônicos dos Sete Povos das Missões), os quais já estão sendo convidados a dar seu depoimento a respeito do “sentimento de pertença” que nos une, a todos, em torno das matrizes culturais que nos definem.

A culminância do projeto “TransMissions / TransMisiones / TransMissões”, por outro lado, deverá ocorrer ao final do processo acima descrito, quando os integrantes do coletivo Black Sheeps Ltd. promoverão, a partir de um trabalho conjunto que congregará as diversas técnicas artísticas de que se valem, uma intervenção pública, dedicada a refletir o resultado da verdadeira “peregrinação” que se terá realizado, pelos mesmos, em busca da identidade missioneira.

Fique de olho, que “TransMissions / TransMisiones / TransMissões” (cuja primeira fase cobrirá apenas as localidades oriundas da experiência missionária da Companhia de Jesus situadas no Rio Grande do Sul), em breve estará inserindo, no cyberespaço, a raiz histórica dos hábitos, mitos e causos que, ainda hoje, são passados, de pais para filhos, através da tradição oral.

Se você é (ou se sente) missioneiro, chegou a hora de se IDENTIFICAR!

(Crédito da foto: Leonid Streliaev / Acervo SETUR)

Ação entre amigos

novembro 16, 2007

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Olá a todos!

Aos amigos que já conferiram as produções do coletivo missioneiro Black Sheeps Ltd., no YouTube (www.youtube.com/blacksheepsltd), meu agradecimento – em nome do grupo de “ovelhas negras” que o compõe -, por estarem ampliando, a cada dia, o número de acessos aos trabalhos do VJ Lucas Oliveira, primeiro artista associado à marca, cujo nome vem ultrapassando as fronteiras do cyberespaço.

Àqueles que ainda não têm conhecimento do projeto que pretende, a médio e longo prazo, inserir as Missões, de fato, no cenário cultural internacional, minha sugestão para que confiram, naquele endereço (e também nos posts anteriores, aqui), os primeiros passos de uma iniciativa que promete atrair os olhares do planeta à nossa região.

A razão do presente post, além de mais uma vez divulgar o coletivo Black Sheeps Ltd., também se relaciona com a proposta de independência (criativa e comercial) que lhe define, a qual pressupõe o emprego de formas alternativas de captação de recursos, para além das restrições institucionais inerentes ao segmento cultural.

Assim, estamos convidando a todos para que participem da AÇÃO ENTRE AMIGOS que, em 19 de dezembro próximo, sorteará, a partir do primeiro número da Loteria Federal, um monitor LCD de 19 polegadas, marca Samsung, modelo SyncMaster 932B Plus.

Os amigos que já adquiriram bilhetes com data de sorteio de 8 de novembro (quando não houve vencedor) continuam concorrendo, enquanto os demais, chamados a participar da AÇÃO ENTRE AMIGOS, além da possibilidade de garantirem uma oportunidade de antecipar o Natal, estarão contribuindo para a divulgação da cultura local.

Entre as razões para a realização da AÇÃO ENTRE AMIGOS, encontra-se a urgência de o coletivo Black Sheeps Ltd. viabilizar, nos próximos meses, uma intervenção pública jamais vista nestas latitudes, capaz de mobilizar o público interno e externo para a relevância do legado missioneiro.

Por tudo isso, contamos com o apoio de todos!

P.S. – O resultado do sorteio estará disponível aqui, no dia 20 de dezembro, data da entrega do mesmo ao(à) feliz vencedor(a).

Ovelhas negras?

novembro 10, 2007

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Após um período de inatividade, o blog retorna, com as devidas explicações para que tenha, aparentemente, sido oferecido às moscas…

O fato é que as últimas semanas foram de intensa produção, em torno da definição do alcance do coletivo missioneiro Black Sheeps Ltd., do qual este que vos escreve é um dos idealizadores e artífices.

Já apresentado informalmente no último post – que evidenciou o trabalho do VJ Lucas Oliveira, primeiro artista associado ao projeto que se propõe, a médio e longo prazos, inserir as Missões no cenário cultural internacional - o coletivo Black Sheeps Ltd. ocupa, atualmente, a mente (e o coração!) de um pequeno grupo de pessoas que, desejosas de expandir seus horizontes para além das coxilhas que caracterizam este rincão, se propõe a interferir, com sua arte, sobre o estagnado processo de desenvolvimento regional.

Como é de conhecimento público, grandes jornadas costumam se iniciar com pequenos passos…

São estes, contudo, que garantem uma direção firme a qualquer propósito, e é neste estágio que nos encontramos.

Senão, como levar a cabo um projeto que já nasce marcado pela ousadia, pelo emprego das “novas” mídias e, especialmente, por uma eficaz canalização de forças criativas?

Ou, dito de outra forma: como empreender algo, em pleno século XXI, em um território dividido, há mais de trezentos anos, entre três referências atávicas determinantes – o animismo guarani, profundamente vinculado à natureza e sua manifestação; os ideais missionários, estrategicamente distribuídos por entre sete povoações altamente organizadas; e, por fim, o “progresso” defendido pelos conquistadores europeus, marcado pela dominação e o emprego de métodos desprovidos do respeito às particularidades individuais?

Mais do que a resposta, em forma de “movimento cultural”, às potencialidades e contradições culturais ainda hoje compartilhadas entre populações distribuídas entre Brasil, Argentina e Paraguai, o mote que suscita a criação do coletivo Black Sheeps Ltd. é a urgente necessidade de se transporem os atrasos que, em última instância, têm intensificado o êxodo da juventude (e sua inerente capacidade de contestação) em direção a outras latitudes.

A inexpressividade da expressão artística atualmente associada às Missões diante das grandes rotas culturais contemporâneas – talvez em razão de sua vinculação a um modelo de gestão pública que transforma os artistas e seu público em reféns dos parcos recursos garantidos à cultura -, contudo, pode e merece ser revertida, visto que, fruto da amálgama de culturas que aqui se fundiram, em tempos áureos, hoje se mostra diversificada e abrangente.

O caminho para tanto – e principal baliza do coletivo Black Sheeps Ltd., qual seja, a independência criativa e comercial -, por sua vez, vem sendo pavimentado a partir do emprego consciente e responsável das ferramentas tecnológicas que, tornadas acessíveis à maior parte da população mundial, permitem uma exposição maciça, economicamente viável e com amplo potencial de recepção, da atitude individual frente à dicotomia regionalismo/globalização (traduzida em forma de arte), daqueles que vivem à sombra da experiência histórica que nos permitiu aqui estar.

É importante, contudo, que se frise não se tratar, a proposta de ação do coletivo Black Sheeps Ltd., de uma postura combativa, no sentido próprio do termo, mas sim de uma busca de libertação, através da criatividade, das amarras que, estabelecidas a partir da hegemonia histórica dos referenciais do colonizador europeu, constituem o principal foco de fragmentação do que se poderia definir, idealmente, como a “cultura missioneira”.

Diante disto, as “ovelhas negras” que, à sua maneira, por conta e risco, ainda se mantêm vinculadas ao binômio guarani/missionário, constituem, por sua natureza, o referencial criativo do coletivo Black Sheeps Ltd.

Que sua manifestação se processe de maneira harmoniosa, sincera e efetivamente encantadora, demonstrando, enfim, a verdade que insiste em se insinuar em cada pedra que sustenta o legado missioneiro!

As primeiras amostras da produção do coletivo, vale a pena ressaltar, podem ser visualizadas no seguinte endereço eletrônico: www.youtube.com/blacksheepsltd

Não deixe de se manifestar a respeito, enviando sua crítica, sugestão, ou encaminhando seu próprio trabalho para apreciação!

Videoarte nas Missões

outubro 5, 2007

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Preste atenção no guri da foto acima…

Sem estardalhaço, o VJ Lucas Oliveira (clicado enquanto manipulava imagens projetadas no telão do Arena Bar, de Santo Ângelo, na temporada de verão 2006-2007, para o Guia da Balada, um concorrido portal de fotos que cobre as festas do Noroeste gaúcho) vem marcando presença na net com suas experimentações audiovisuais e acumulando views no youtube e no myspace.

Para que se tenha uma idéia do sucesso do cara, basta dizer que o garoto, de apenas 19 anos, tem seus vídeos citados num blog francês e em sites americanos de compartilhamento de arquivos, o que só tem contribuído para que a popularidade de suas criações aumente exponencialmente, no ritmo que só a capacidade de disseminação de dados, na internet, permite.

Trata-se, de fato, de uma vibe típica do século 21, em que o desejo das pessoas em buscar formas alternativas (e inéditas!) de entretenimento e diversão traz, em seu bojo, oportunidades de trabalho impensáveis há poucos anos. Este é o caso do vjing, a técnica de manipulação de imagens e sons – geralmente executada ao vivo, diante do público -, que vem redimensionando a forma através da qual as festas são programadas, tanto no Brasil como mundo afora.

Primeira aposta do coletivo missioneiro Black Sheeps Ltd., no segmento de marketing pessoal, a videoarte de Lucas Oliveira está prestes a animar a noite da capital gaúcha, a partir do mês de novembro, quando o VJ fará apresentações em alguns dos espaços mais visados pela tribo que não vive sem música eletrônica.

De Porto Alegre, o guri deve aterrisar, na seqüência, na Argentina, cumprindo um itinerário que irá privilegiar, num primeiro momento, o interior do país vizinho, sempre de notebook em punho, e uma coleção de loops capaz de hipnotizar o mais desavisado freqüentador da noite.

Enquanto isso, a Black Sheeps Ltd. prepara, para os primeiros meses de 2008, o lançamento de outro talento missioneiro, o qual deverá movimentar a cena musical gaúcha e promete, assim como o VJ Lucas Oliveira, cruzar as fronteiras da cada vez mais acessível “aldeia global”.

Para conferir o trabalho do VJ, acesse os links abaixo - e não esqueça de postar sua opinião a respeito do que viu!:

http://www.youtube.com/watch?v=wj57p69aM6s

http://www.youtube.com/watch?v=Rxx5dt4hz4I

http://olivier411.skyrock.com/4.html

http://www.glitter-graphics.com/videos/details.php?v…

http://widget-18.slide.com/widgets/sf.swf

http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&VideoID=19408471

http://vids.myspace.com/index.cfm?fuseaction=vids.individual&VideoID=19448132

Permaneço na cidade…

outubro 1, 2007

All Star… Always!

Primeiro post do novo blog, novo período astrológico, mudanças a caminho (algumas já entre…).

Trinta e cinco anos bem vividos, às vezes morridos, mas sempre com o desejo à flor da pele. Desejo de alcançar tudo que se mereça, de sonhar em tempo integral, e de realizar com consistência.

Chego, então, a um Meio de Céu que promete fazer chover… Meus instrumentos rituais, dissolvidos na lava fervente dos últimos meses, me voltam às mãos com mais brilho, e sei que a indígena herança corre, mais intensa, em veias que pulsam por tudo o que é belo…

Eis que alguns anjos resolveram, há pouco tempo, fazer casa em meus braços, e apesar de minhas inúmeras tentativas de arrancar suas asas, eles cá permanecem, com olhar complacente e insistente disposição em me mostrar realmente como sou. Quem mandou, afinal, escolher “Asas do Desejo” como filme predileto?

Os amigos… Os amores… Ou ambos… Reunidos em casa, rindo à toa, amando o amor… 28 de setembro de 2007 é uma data histórica, que marca minha saída de um limbo para o qual não me preparei, e sem o qual não teria (re)encontrado um equilíbrio tão íntimo que falar dele aqui soaria próximo do obsceno.

“Para o alto, e avante!”… Eis um bordão adequado ao que me espera… E também ao que almejo! Diante de um novo tempo, reconheço meu tamanho, minha intensidade e a grandeza de meu coração…

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